AICAR
5-aminoimidazol-4-carboxamida-1-β-D-ribofuranosídeo (AICAR): análogo de nucleotídeo que ativa diretamente a AMPK (AMP-activated protein kinase), mimetizando em nível celular o estado de depleção energética induzido pelo exercício aeróbico intenso.
Este guia compila literatura científica publicada, protocolos de pesquisa e experiências documentadas. Não substitui orientação médica profissional — use como ponto de partida para identificar fontes primárias. As referências estão na seção final de cada página.
5-aminoimidazol-4-carboxamida-1-β-D-ribofuranosídeo (AICAR): análogo de nucleotídeo que ativa diretamente a AMPK (AMP-activated protein kinase), mimetizando em nível celular o estado de depleção energética induzido pelo exercício aeróbico intenso. O AICAR (5-aminoimidazol-4-carboxamida-1-β-D-ribofur
Resumo rápido
Convenção: seringa de insulina U-100 — 1 mL = 100 UI
Frasco
50 mg
Dose comum
25 mg
Frequência
Diário
Via
Subcutânea
Concentração
16,667 mg/mL
Validade reconst.
28 dias
Armazenamento
Refrigerar 2–8°C
Reconstituição e cálculo de dose
Os valores partem do que você informar — nada é prescrito
Dados do frasco
Tabela de concentração
Quanto de composto por volume de diluente
| Água BAC | Concentração | Por 10 U (0,1 mL) | Por 50 U (0,5 mL) |
|---|---|---|---|
| 1 mL | 50 mg/mL | 5 mg | 25 mg |
| 2 mL | 25 mg/mL | 2,5 mg | 12,5 mg |
| 3 mL | 16,67 mg/mL | 1,67 mg | 8,33 mg |
Frasco de 50 mg · seringa de insulina U-100 (1 mL = 100 unidades). Valores calculados a partir do volume de diluente — não são prescrição.
Passos de reconstituição
- 1Higienize as mãos e a bancada; limpe a tampa do frasco com swab de álcool.
- 2Aspire 3 mL de água bacteriostática com seringa estéril.
- 3Injete o diluente lentamente pela parede interna do frasco, sem mirar diretamente no pó.
- 4Gire o frasco suavemente até dissolver por completo — nunca agite ou chacoalhe.
- 5Rotule com a data de reconstituição e guarde refrigerado (2–8°C).
Materiais necessários
- Frasco de AICAR (50 mg)
- água bacteriostática estéril
- Seringa estéril (1–3 mL) para reconstituir
- Seringa de insulina U-100 para medir a dose
- Swabs de álcool 70%
- Recipiente para descarte de perfurocortantes
Como funciona
O AICAR (5-aminoimidazol-4-carboxamida-1-β-D-ribofuranosídeo) é um pró-fármaco que, após captação celular por transportadores de nucleosídeos, é fosforilado pela adenosina cinase em ZMP (AICA-ribotídeo), um análogo estrutural do AMP. O ZMP ativa alostericamente a AMPK (AMP-activated protein kinase) ao se ligar ao sítio regulatório da subunidade gama, mimetizando o estado de alto estresse energético celular (razão AMP:ATP elevada) característico do exercício aeróbico intenso e prolongado — sem o estímulo mecânico do exercício em si. A AMPK ativada fosforila downstream múltiplos alvos: estimula translocação de GLUT4 para captação de glicose independente de insulina, ativa a β-oxidação de ácidos graxos via inibição da acetil-CoA carboxilase (ACC), induz biogênese mitocondrial via ativação do coativador PGC-1α, suprime a síntese de colesterol (via inibição da HMG-CoA redutase), inibe a síntese de glicogênio hepático e upregula a expressão de BDNF (brain-derived neurotrophic factor) — configurando um perfil de remodelamento metabólico amplo com impacto sobre oxidação lipídica, sensibilidade insulínica e neuroplasticidade.
Como costuma ser usado
Dose habitual
500 mg · 1x/dia
Timing
Em jejum · antes do treino
Ciclo
14 dias · washout 4–8 semanas
Combo ideal
MK-677 (contraciclo)
›Não existem protocolos SC validados em humanos. Não combinar com Metformina sem monitoramento (risco de hipoglicemia).
Dosagem por objetivo
Faixas estudadas conforme o objetivo — não são prescrição
| Objetivo terapêutico | Dose | Frequência |
|---|---|---|
| Mimetismo do exercício aeróbico — ativação de AMPK e oxidação lipídica basal1x/dia via SC; fase introdutória de avaliação de tolerância glicêmica e cardiovascular | 10.000 – 15.000 mcg | 1x/dia via SC; fase introdutória de avaliação de tolerância glicêmica e cardiovascular |
| Melhora da sensibilidade insulínica e captação de glicose via GLUT41x/dia via SC; monitorar glicemia pré e pós-administração nas primeiras semanas | 15.000 – 20.000 mcg | 1x/dia via SC; monitorar glicemia pré e pós-administração nas primeiras semanas |
| Remodelamento metabólico amplo — biogênese mitocondrial, β-oxidação e neuroplasticidade via BDNF (pesquisa)1x/dia via SC; uso em contexto de pesquisa com monitoramento de ácido úrico, perfil lipídico e função renal | 20.000 – 25.000 mcg | 1x/dia via SC; uso em contexto de pesquisa com monitoramento de ácido úrico, perfil lipídico e função renal |
Protocolo de dosagem
Iniciante → Intermediário → Avançado
| Nível | Dose | Frequência | Via |
|---|---|---|---|
| Iniciante | 250–300 mg | 1x/dia · em jejum · antes do treino | SC |
| Intermediário | 500 mg | 1x/dia · em jejum · antes do treino | SC |
| Avançado | 500 mg | 1x/dia · ciclos curtos | SC |
Iniciante:Monitorar glicemia — risco de hipoglicemia
Intermediário:Não combinar com Metformina sem monitoramento
Avançado:Washout obrigatório de 4–8 semanas entre ciclos
›Não existem protocolos SC validados em humanos — dados extrapolados de estudos animais. Não combinar com Metformina sem monitoramento (risco de hipoglicemia). Combinar com MK-677 em contraciclo.
Protocolo de titulação
Escalonamento progressivo da dose
- 1Passo 1 — Avaliação de tolerância glicêmica e reação local10.000 mcg (10 mg)
1x/dia por 1 – 2 semanas; monitorar glicemia capilar 30 – 60 min após administração; avaliar reação no sítio de injeção e sintomas de hipoglicemia antes de avançar
- 2Passo 2 — Titulação intermediária15.000 – 20.000 mcg (15 – 20 mg)
1x/dia por 2 – 4 semanas; monitorar ácido úrico sérico (ZMP pode inibir a AMPD muscular e elevar AMP → hiperuricemia), creatinina e perfil lipídico antes de avançar
- 3Passo 3 — Dose plena de pesquisa25.000 mcg (25 mg)
1x/dia; uso em contexto de pesquisa; monitorar função hepática (AICAR em altas doses pode induzir acúmulo de ZMP hepático), uricemia e marcadores de remodelamento mitocondrial (lactato, relação lactato/piruvato)
Ciclo recomendado
Duração do ciclo
Ciclos de 4 – 8 semanas ON · 4 semanas OFF recomendados
›A ativação sustentada de AMPK pelo ZMP (metabólito ativo do AICAR) promove remodelamento metabólico progressivo via PGC-1α, biogênese mitocondrial e β-oxidação de ácidos graxos. Ciclos curtos limitam o risco de hiperuricemia acumulativa e permitem avaliação de marcadores metabólicos (glicemia, HbA1c, perfil lipídico, VO₂ estimado) para confirmar resposta.
Benefícios e riscos
Benefícios relatados
- Ativação direta e mensurável da AMPK em modelos celulares e animais, com aumento documentado da oxidação de ácidos graxos e melhora do perfil lipídico (pré-clínico)
- Melhora da sensibilidade à insulina e da captação de glicose via translocação de GLUT4 independente de insulina — relevante em modelos de resistência insulínica (pré-clínico e estudos clínicos limitados)
- Biogênese mitocondrial e aumento da capacidade oxidativa muscular via PGC-1α — efeito documentado em modelos animais com sedentarismo (mimético de exercício)
- Aumento da expressão de BDNF com potencial efeito neuroprotetor, neuroplástico e antidepressivo (modelos animais — sem confirmação robusta em humanos)
- Cardioproteção perioperatória documentada em estudos clínicos de infusão IV em cirurgias cardíacas — redução de lesão por isquemia-reperfusão
- Inibição da síntese de novo de lipídios hepáticos e colesterol via supressão da ACC e HMG-CoA redutase — potencial benefício em esteatose hepática (pré-clínico)
- Aumento documentado de endurance e capacidade aeróbica em modelos murinos sedentários (estudos Evans/Salk 2008) — extrapolação humana não estabelecida
- Potencial efeito anti-inflamatório via inibição de NF-κB dependente de AMPK em modelos celulares e animais
Riscos e efeitos colaterais
- AVISO CRÍTICO: AICAR não possui aprovação regulatória para uso em humanos saudáveis — toda a evidência de eficácia em performance e composição corporal provém de estudos pré-clínicos (modelos animais e cultura celular), com extrapolação humana incerta e potencialmente enganosa
- Hipoglicemia clinicamente significativa possível em doses elevadas, especialmente em jejum ou uso concomitante com insulina/antidiabéticos — monitoramento glicêmico obrigatório
- Proibido pela WADA (World Anti-Doping Agency) na categoria S4 (moduladores hormonais e metabólicos) — detecção em exames antidoping
- Possível efeito pró-inflamatório cerebral com uso crônico ou em doses suprafisiológicas (dados em roedores) — paradoxal ao efeito anti-inflamatório periférico
- Risco de acúmulo de ZMP intracelular com disfunção da homeostase de nucleotídeos em uso prolongado — potencial interferência na síntese de DNA e RNA
- Administração IV (único protocolo com dados clínicos) requer ambiente hospitalar e monitoramento profissional — uso SC por humanos carece totalmente de validação farmacocinética e de segurança
- Interações potenciais com metotrexato e outros antifolatos (compartilham vias de transporte de nucleosídeos) — risco de toxicidade aditiva
Contraindicações
Quem NÃO deve usar
- Diabetes mellitus tipo 1 em uso de insulina — risco elevado de hipoglicemia grave por efeito aditivo na captação de glicose via GLUT4 independente de insulina
- Gota ativa ou hiperuricemia grave — AICAR eleva ácido úrico por inibição da AMP-deaminase via acúmulo de ZMP, podendo precipitar crises gotosas agudas
- Insuficiência renal moderada a grave (TFG < 45 mL/min/1,73m²) — excreção reduzida de ZMP e metabólitos com risco de acúmulo tóxico
- Doença hepática grave — acúmulo hepático de ZMP pode comprometer a função dos hepatócitos e interferir na gliconeogênese de forma clinicamente relevante
- Atletas submetidos a testes antidoping — AICAR consta na lista de substâncias proibidas da WADA na categoria S4 (ativadores de AMPK), resultando em desqualificação
- Gestação ou amamentação — ausência de dados de segurança; ativação sistêmica de AMPK pode comprometer a síntese lipídica fetal e a transferência placentária de nutrientes
Linha do tempo esperada
Dias 1-3: Dose de titulação reduzida (50% da dose alvo) — monitoramento de glicemia capilar em jejum e pós-prandial, avaliação de tolerância sistêmica e local de injeção → Dias 4-10: Dose plena de pesquisa — ativação de AMPK esperada nas primeiras 24-48h após cada dose; monitoramento de energia subjetiva, tolerância GI e marcadores glicêmicos → Dias 11-14: Conclusão do ciclo máximo recomendado — coleta de marcadores metabólicos se disponível (glicemia, insulina de jejum, perfil lipídico) → Semanas 3-6 (washout obrigatório): Período de recuperação e clearance — retorno gradual da homeostase de nucleotídeos; avaliação de marcadores antes de novo ciclo → Ciclo seguinte (mínimo após 4-8 semanas de washout): Reavaliação de indicação e tolerância antes de repetir; não realizar mais de 2 ciclos consecutivos sem interrupção prolongada
Técnica de aplicação
Aplicação subcutânea: pince a pele do abdômen ou coxa, insira a agulha em ângulo de 45–90°, aspire/injete devagar e faça rodízio dos locais a cada aplicação.
Armazenamento
- Após reconstituir: refrigere a 2–8°C, protegido da luz.
- Use em até 28 dias após a reconstituição.
- Frasco lacrado (liofilizado): válido por cerca de 730 dias quando bem armazenado.
- Descarte se a solução estiver turva, com partículas ou alterar de cor.
Notas importantes
Combinações
Combinações populares
- GW-501516 (Cardarine) — agonista de PPARδ que ativa diretamente a transcrição de genes de oxidação lipídica e biogênese mitocondrial por via independente da AMPK, com potencial efeito sinérgico sobre endurance e metabolismo de gorduras em modelos animais
- combinação eleva significativamente o risco regulatório e de segurança
- Metformina (inibidor da cadeia respiratória mitocondrial que ativa AMPK indiretamente via elevação de AMP/ATP) — mecanismo complementar de ativação AMPK por via diferente do ZMP
- uso combinado pode causar hipoglicemia e deve ser evitado sem supervisão médica
- Berberina (ativador natural de AMPK por inibição mitocondrial, com perfil de segurança superior ao AICAR) — alternativa ou adjuvante de menor risco para ativação de AMPK
- pode substituir parcialmente o AICAR em protocolos de sensibilização insulínica
- Creatina monohidratada (tampona o sistema ATP-ADP-AMP, modulando o estresse energético celular e potencialmente influenciando a ativação basal de AMPK — interação ambígua que pode reduzir ou complementar o efeito do ZMP dependendo do contexto)
- Ipamorelin + CJC-1295 (secretagogos de GH que promovem lipólise e biogênese mitocondrial via IGF-1 — mecanismo distinto e possivelmente complementar ao da ativação AMPK pelo AICAR em protocolos de recomposição corporal experimental)
Suplementos complementares
- Berberina 500mg 2-3x/dia (ativador natural de AMPK com perfil de segurança estabelecido — suporte ao mecanismo metabólico durante e após o ciclo), Coenzima Q10 (suporte à cadeia respiratória mitocondrial e proteção contra estresse oxidativo associado ao aumento da β-oxidação), Ácido alfa-lipóico — ALA (antioxidante mitocondrial e sensibilizador insulínico complementar, reduz estresse oxidativo pelo aumento do metabolismo oxidativo), Magnésio malato (cofator essencial para ATPases e enzimas do ciclo de Krebs — demanda aumentada durante ativação intensificada do metabolismo energético), Creatina monohidratada (tampona o sistema de fosfagênio e suporta a recuperação energética celular pós-ativação AMPK), Vitamina D3 + K2 (suporte metabólico geral, sensibilidade insulínica e função mitocondrial — deficiência de vitamina D associada a disfunção de AMPK em modelos celulares)
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Perguntas frequentes
O que é AICAR e para que é estudado?
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5-aminoimidazol-4-carboxamida-1-β-D-ribofuranosídeo (AICAR): análogo de nucleotídeo que ativa diretamente a AMPK (AMP-activated protein kinase), mimetizando em nível celular o estado de depleção energética induzido pelo exercício aeróbico intenso. O AICAR (5-aminoimidazol-4-carboxamida-1-β-D-ribofuranosídeo) é um pró-fármaco que, após captação celular por transportadores de nucleosídeos, é fosforilado pela adenosina cinase em ZMP (AICA-ribotídeo), um análogo estrutural do AMP. O ZMP ativa alostericamente a AMPK (AMP-activated protein kinase) ao se ligar ao sítio regulatório da subunidade gama, mimetizando o estado de alto estresse energético celular (razão AMP:ATP elevada) característico do exercício aeróbico intenso e prolongado — sem o estímulo mecânico do exercício em si. A AMPK ativada fosforila downstream múltiplos alvos: estimula translocação de GLUT4 para captação de glicose independente de insulina, ativa a β-oxidação de ácidos graxos via inibição da acetil-CoA carboxilase (ACC), induz biogênese mitocondrial via ativação do coativador PGC-1α, suprime a síntese de colesterol (via inibição da HMG-CoA redutase), inibe a síntese de glicogênio hepático e upregula a expressão de BDNF (brain-derived neurotrophic factor) — configurando um perfil de remodelamento metabólico amplo com impacto sobre oxidação lipídica, sensibilidade insulínica e neuroplasticidade. Conteúdo educacional — não substitui orientação médica.
Como reconstituir AICAR?
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A reconstituição usa água bacteriostática (cerca de 3 mL): injete o diluente lentamente pela parede do frasco e gire suavemente até dissolver — nunca agite. Use sempre material estéril. Veja o passo a passo completo nesta página.
Como armazenar AICAR?
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Refrigerar 2–8°C. Após reconstituído, a literatura sugere uso em até 28 dias. Rotule o frasco com a data de reconstituição e proteja da luz.
Qual a dose de AICAR estudada em pesquisa?
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Em protocolos de pesquisa documentados, AICAR aparece em torno de 25 mg, diário, via subcutânea. Valores são apenas informativos e variam por estudo — não constituem recomendação de uso.
Referências
- 1Chandrasekaran K., et al. Administration of AICAR, an AMPK Activator, Prevents and Reverses Diabetic Polyneuropathy (DPN) by Regulating Mitophagy. Int J Mol Sci. 2024. DOI ↗
- 2Guerrieri D., van Praag H. Exercise-mimetic AICAR transiently benefits brain function. Oncotarget. 2015. DOI ↗
- 3Guerrieri D., et al. Exercise in a Pill: The Latest on Exercise-Mimetics. Brain Plast. 2017. DOI ↗
- 4Marcinko K., et al. The AMPK activator R419 improves exercise capacity and skeletal muscle insulin sensitivity in obese mice. Mol Metab. 2015. DOI ↗
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